atmosphera


CINEMA - Watchmen

 

Sem acordo! Nem à beira do Armagedon!

Li Watchmen em 1988. Desde 1990 havia boatos de que alguém em alguma esquina desse magnífico planeta, estava fazendo uma produção pro telão. Nos anos seguintes, a cada filme que via no cinema, sonhava em ver um trailer de Watchmen...

Bom... de 88 pra cá o  mundo partiu em velocidade de dobra (pros trekkies) na informação refletindo estética, modos fragmentados de linguagem e entendimento, tudo muito acelerado; tornando nosso ano que era de 12 meses em 4. Se antes você ficava na expectativa de um trailer, hoje você tem o filme e uma tonelada de informação dos bastidores meses antes da estréia no cinema. Peguei Watchmen pra ler agora, pela 8º vez, 21 anos após ter consumido sua primeira impressão. É impressionante. Continua assim, mesmo depois das experiências de uma vida adulta, como um casamento por exemplo, de ser bombardeado por zilhões de novas informações em vídeos, sons e cores que nunca imaginava, assistido a milhares de filmes. Ter lido uma infinidade de coisas. Watchmen permanece formidável... ainda surpreende, ainda conquista. Isso é uma obra prima.

A questão é que nós, fãs de quadrinhos, que lemos coisas brilhantes como Monstro do Pântano, Miracleman, Cavaleiro das Trevas... acabamos nos tornando um público restrito, mesmo que em crescimento. Ter uma dessas obras bem adaptadas numa mídia de massa como o cinema, ver pessoas saindo de uma sala lotada, embasbacadas e surpresas com a alta qualidade do que viram, nos dá um gosto de vitória, por mais velho que você seja e não queria admitir. Nós, fãs de quadrinhos, temos uma necessidade inerente de falar bastante e abertamente sobre o que gostamos sem parecer infantil.  Mesmo que essas obras tratem e bem de assuntos avançados como sentimentos, sociologia, vida e história, não é assim que elas são vistas pela maioria das pessoas. A maior parte conhece os estereótipos e fica com eles lamentavelmente.  Superman, Batman, Homem-Aranha e Hulk por conta de séries de tv e em escala menor, Homem de Ferro, se tornam conhecidos do grande público, mas sua base é juvenil e, mesmo que hoje se tenha abordagens bem  mais maduras, a associação que é feita com eles não deixa de ser juvenil. Por conta disso, Watchmen acaba tendo uma importância talvez maior que devesse, se torna um emblema nerd. Um tipo de "prova" de que fãs não são bobocas (alguns são, mas isso é outra questão). Watchmen requer uma certa ginástica pra explicar pra namorada não nerd, sem parecer imaturo ou esquisito. E é por isso que não condeno Zack Snyder. Ele teve a tarefa exponencialmente hercúlea de mostrar Watchmen ao mundo. E fez o que pôde com a experiência de apenas dois filmes na bagagem. Talvez se fosse mais experiente, estivesse acertado mais, por outro lado poderia acabar usando fórmulas de Hollwood tal qual David Fincher com seu Benjamin Button. Zack Snyder tentou e fracassou. E em vários momentos até atirou no próprio pé. Mas fez uma obra adulta no cinema. E pelo que sabemos, seria muito, muito pior.

Vale a pena pagar o ingresso? sem dúvida. Se você não conhece o quadrinho, vai ver um filme com visual espetacular, ousado e possivelmente cult. Entenda-se esse cult não como maravilhoso, mas como diferente dos demais. Gostei da adaptação? não. Assisti duas vezes e até tentei... mas não rolou. No meu entender aquilo se parece com Watchmen visualmente e tem a questão louvável de alguns diálogos e passagens serem iguais às do quadrinho. Mas não foi possível transmitir a idéia de uma história complexa e com camadas. No filme, ela é até bem simples, prejudicada no entendimento apenas por recortes e edição. A essência de Watchmen ficou diluída demais. Não vejo como alguém que assista a esse filme, se interesse pelo quadrinho. Em parte isso é culpa da limitação de tempo na tela e do orçamento, mas em grande parte, é culpa mesmo da falta do poder de contar história de Zack Snyder. Até sua boa alternativa pro desfecho, que acredito que tenha sido por conta de falta de verba, acabou sendo uma coisinha sem impacto. A lula afinal de contas, fez muito mais falta do que imaginei. Snyder também não arreda o pé de alguns caprichos próprios, uma assinatura de seu trabalho, sei lá... por exemplo:  homossexualizar os personagens. Veidt, o homem mais inteligente do mundo que causava respeito apenas por estar perto, agora é a bicha mais inteligente. E o Dr. Manhattan, coitado, além de ganhar poderes mentais made in X-Men e ter destruído o modo como ele percebe o tempo,  sua progressiva distância dos seres humanos foi substituída por uma delicadeza  feminina na voz do Billy Crudup.  Faltou o Dr. Manhattan usar expressões como "cruzes". Ele foi de um deus hétero e científico pra uma divindade brahmânica de um viado enrustido. Não inteprete isso como preconceito de minha parte. Trata-se de mexer na essência original estabelecida dos personagens. Outra errada de mão que ajudou no mal entendimento foram as extrapolações de violência. Tudo muito trash e sanguinolento; não precisava. As cenas de luta foram outra escorregada feia: são inverossímeis fazendo todos os heróis parecerem ter alguma superforça/resistência. O grande mote do quadrinho de pessoas reais combatento o crime fantasiadas foi embora nesse ponto. A trilha sonora também foi o abacate com bicho que talvez mais tenha me incomodado. A cada cena, uma canção pontual aparece como numa sequência de vídeoclipes. Destaque pra constrangedora e risível cena de sexo e a mal vinda Cavalgada das Valquírias no caminhar do Dr. Manhattan no Vietnã, ele poderia ter sido marcado por um tema próprio e imperativo. Muita gente gostou, mas isso foi por ver suas músicas prediletas no cinema mais do que por qualquer outro motivo.

Elenco: estranhei a versão idosa de Carla Gurgino, esquisita e nada a haver com a Sally Júpiter original. Rorsharch foi acertado desde o início com a escalação de Jackie Earley (pena que com voz de Batman) e as boas surpresas foram Patrick Wilson como o 2º Night Owl e a entrega de Dean Morgan, o Comediante. Malin Ackerman/2º Espectral poderia ter uma cena maior de nudez, ela é linda e o Matthew Good/ Ozymandias... mandaram ele ser viado, ele obedeceu.

A projeção que tem ótimos os seus primeiros 40 minutos não se sustenta até o desfecho, ele é como o mostrador cardíaco de uma pessoa com sérios problemas de coração  Oscila picos de momentos inspirados com cenas bobocas. Acredito que a versão de Snyder com mais de 3 horas  corrija algumas coisas. Mas não tenho tanta esperança.  Engrosso o coro de uma série de tv pela HBO, mas com uns 30 capítulos. Quem sabe...

Agora uma coisa importante... Vc gostou do filme e quer ver mais filmes baseados em quadrinho adulto? então vá ver de novo e leve amigos. A bilheteria está indicando um fracasso pra Watchmen. A escassa mentalidade de altos executivos vai entender isso como sinal de que adaptação de quadrinhos adultos não rende dinheiro... e aí babou! é aguentar um Quarteto Fantástico da vida.  Apesar de francamente decepcionado, torço pro sucesso do filme. 

 

http://watchmenmovie.warnerbros.com/

 

 



Escrito por Urbano às 07h56
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Escrito por Urbano às 07h23
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Watchmen... ó céus..

 

Estou me recuperando de Watchmen...  já volto....



Escrito por Urbano às 11h49
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